Banco de Portugal aperta cinto no acesso ao crédito

A taxa de concessão de crédito tem sofrido elevados cortes na última década e o ano passado não foi excepção. A prová-lo estão os resultados do último Inquérito à Actividade Empresarial da Associação Industrial Portuguesa (AIP). O estudo revela que mais de 40 por cento das empresas inquiridas de debatem com sérias dificuldades em obter financiamento bancário.

Apesar de não haver novidade alguma nos resultados apresentados dada a actual situação de crise dos mercados por todo o mundo, os dados recolhidos demonstram uma alarmante tendência negativa no que diz respeito às Pequenas e Médias Empresas. De acordo com o aquele relatório, as PME’s têm visto o seu percurso de acesso ao crédito cada vez mais complicado, não se antevendo alterações substanciais nos próximos meses, sobretudo pela inexistência de modificações a nível de financiamento nas grandes entidades credoras.

As conclusões retiradas do AIP destacam ainda outro dado muito pouco positivo. Quando comparada com o ano de 2008, a percentagem de empresas com dificuldades no acesso ao crédito duplicou, passando dos anteriores 20 para os actuais 40 por cento. Na base destes problemas de crédito estão os cada vez mais apertados critérios de acesso ao mesmo, estabelecidos nos diversos bancos nacionais e internacionais, incluindo o Banco de Portugal (BdP). Para protecção própria, como instituição que são, os bancos são obrigados a avaliar o risco de concessão de crédito, e procuram reduzi-los ao máximo para evitar a elevada taxa de crédito mal parado actual. O resultado desta cautela são a aplicação de critérios mais restritivos na hora de conceder o crédito.

As últimas directrizes para a concessão de crédito estão bastante mais exigentes, não se antevendo que venham a registar-se alterações neste campo, pelo menos num futuro próximo. A certeza foi avançada no Boletim Económico de Inverno do BdP, onde se previa que “as condições de concessão de crédito se mantenham em níveis mais exigentes do que os registados no período anterior à eclosão da crise financeira”.

As dificuldades no acesso ao crédito são uma das causas que leva os patrões a optarem cada vez mais por formas de cortar nas despesas, o que demasiadas vezes significa colocar mais uma pessoa no desemprego ou optar por mão-de-obra mais barata, mesmo que isso implique laborar fora do país de origem da empresa. Porém, os problemas de acesso ao crédito, assim como a crise financeira actual, são muitas vezes utilizadas como desculpas para o mau funcionamento das instituições, habituadas a operar de forma mais folgada.

Nesta situação, como em todas, “paga o justo pelo pecador”. Apesar disso, a verdade é que a real dificuldade no acesso ao crédito bancário amputa a possibilidade de as empresas crescerem mais rapidamente, tanto em meios humanos como técnicos, o que acaba inevitavelmente por prejudicar a própria subsistência “saudável” das empresas, que se vêm crescentemente abraços com graves problemas de tesouraria.

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