Reendividamento: agravamento da situação ou uma solução?

A actual conjuntura leva-nos a uma situação de endividamento permanente. Algumas pessoas estão endividadas muito além das suas possibilidades. E esta situação apenas tem a tendência a piorar. Na verdade trata-se de um perigoso ciclo vicioso onde é necessário forçarmos o quebrar do ciclo para nos conseguir levantar. E digo ciclo porque podemos facilmente cair num circuito em que apenas tapamos buracos e perdemos poder de compra.

Quando um crédito entra em incumprimento, a pressão exercida sobre quem deve torna-se quase extrema. São repetidamente contactados quer por telefone, carta e até pessoalmente. É despoletada toda uma máquina de recuperação de crédito implacável e que, à custa dos actuais tempos, se tornou quase infalível. Só existem, normalmente duas formas de nos livrarmos destas situações:

  • 1. Pagando com capitais próprios. Quando a situação aperta pode chegar a altura de liquidarmos parte dos nossos bens. Podemos vender um automóvel ou trocarmos a nossa casa por uma casa arrendada (o que, no meu ponto de vista, não é uma solução negativa). A verdade é que precisamos de realizar dinheiro com alguma celeridade e esta, normalmente, é a forma mais rápida de obter liquidez.
  • 2. Através do reendividamento. Se a situação ainda está minimamente controlado e apenas estamos em incumprimento simples (sem comunicação ao Banco de Portugal) o crédito imediato pode ser a solução. No entanto é preciso ser bem pensado de forma a não cairmos nos ciclos que acima descrevi.
    Muitas pessoas sem se aperceberem caem num círculo que estão continuamente a pedir um crédito para pagar o anterior. E na realidade estão apenas a passar dinheiro de mãos. Até perdendo dinheiro porque cada vez que isto acontece, tem de se juntar despesas, custas, juros e demais taxas. Isto faz com que a situação se torne um vício.
  • Na minha opinião, o produto financeiro que mais promove esta dependência do crédito é a linha de crédito a associada à “conta ordenado”. Neste produto, a instituição bancária adianta-nos um valor que, normalmente, é igual ao montante habitual do nosso vencimento mensal. Este crédito está lá, sempre, pronto a ser usado. Em alguns bancos está inclusive à ordem na nossa conta. Só conseguimos ver o nosso saldo real no saldo contabilístico. Ora a única forma que não usarmos crédito é não o ter. Estando ali disponível é mais que provável que será usado. O problema é que quando o próximo vencimento entrar na conta será apenas para cobrir o que está ao abrigo do crédito por conta ordenado. Basicamente vive-se e trabalha-se para tapar o(s) buraco(s) que vamos deixando ao longo do nosso caminho.

    E não nos podemos esquecer que existem sempre juros associados. Isto é, quando entrar o nosso vencimento ficamos com menos um bocadinho do que tínhamos. E todos os meses nos vai tirando mais um pouco e mais um pouco. Por isso eu considero o reendividamento um dos problemas mais complicados da nossa sociedade. É preciso ter cuidado para não cairmos nesta tentação. E acredite que se lá estiver disponível, irá gasta-lo. É preferível pedir um microcrédito ou um crédito pessoal caso haja motivo para isso.

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