Portugueses não comparam preços dos bancos

Os cidadãos nacionais são os que menos cautela têm na escolha de produtos e serviços bancários. Esta é a principal conclusão a retirar de um estudo recentemente divulgado pelo Banco de Portugal (BdP), com o qual o regulador do sector procurou apurar o nível de conhecimento quanto a este género de aplicações.

Segundo os dados finais do inquérito, a maioria dos portugueses não compara os preços e condições das diferentes entidades bancárias e raramente procura saber qual a melhor proposta existente no mercado, seja apenas para os comuns créditos ou produtos de investimento e poupança. O mesmo acontece na selecção do banco, escolhido de acordo com aspectos que nada têm a ver com as vantagens que possam apresentar, mas sim consoante critérios de natureza sugestiva e afectiva.

A recomendação de amigos ou familiares é uma das principais razões que leva à subscrição de um produto ou serviço bancário (35%), enquanto a localização geográfica – o facto de o banco ter uma filial perto da sua área de residência – tem um peso de 23 por cento. Já outros 14 por cento cedem à imposição da entidade patronal, que apenas envia o vencimento para uma instituição bancária. Por último, 12 por cento opta por uma empresa específica por aí deter outros produtos e serviços, como contas bancárias, créditos ou seguros.

De acordo com referido inquérito do BdP, a maioria dos perscrutados admite não fazer qualquer tipo de investigação prévia de procura do melhor negócio e confessa seguir os conselhos de gestores de conta sem ouvir uma segunda ou terceira opinião, confirmando que por norma seguem o que aqueles profissionais sugerem no que diz respeito às mais vantajosas aplicações para o seu dinheiro, não colocando grandes questões ou pedindo esclarecimentos adicionais sobre esses investimentos.

O estudo do regulador do sector demonstra que a iliteracia bancária dos cidadãos lusos é das maiores do Velho Continente. Esta realidade é bastante grave e acaba por explicar o prejuízo de muitos clientes lusos, com perdas por vezes significativas, sobretudo ao nível das taxas de juros ou comissões e não tanto das condições gerais, habitualmente muito semelhantes e com diferenças pouco significativas de um banco para o outro.

Não optando pelo método da pré-selecção ou até mesmo das simulações, a decisão final nem sempre é a mais benéfica e acarreta responsabilidades que podiam ser contornadas com uma escolha consciente. Por isso, mas principalmente devido ao difícil momento que se vive actualmente, torna-se extremamente importante adoptar novas posições face ao mercado bancário, nomeadamente enveredando pela (maior) precaução, apenas possível quando o caminho a percorrer é determinado por uma avaliação prévia do que existe à disposição.

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