Podem recusar-me um empréstimo?

No clima de mútua descrença instalado em Portugal é natural que surjam algumas dúvidas que eventualmente não seriam sequer colocadas num período diferente mas que nem por isso deixam de ser pertinentes. Uma dessas interrogações é se uma entidade credora se pode negar a conceder financiamento a um cliente, pergunta importante que evidentemente é seguida por outra: que motivos a permitem recusar o serviço.

A primeira questão é fácil de responder e aplica-se à quase totalidade das actividades que envolvam um contrato firmado entre duas partes: cada um dos envolvidos reserva-se ao direito de aceitar ou recusar os trâmites do mesmo, ou seja, da mesma forma que o cliente pode enveredar por uma ou outra alternativa ao seu dispor também a entidade financiadora pode por sua vontade negar a concessão de um crédito se entender que não estão reunidas as condições adequadas à sua atribuição.

Quanto à segunda interrogação, parcialmente já respondida com a segunda parte do que foi explicado no parágrafo anterior, resta sublinhar que as razões para a rejeição de financiamento a um consumidor podem variar consoante o credor, embora exista um núcleo de justificações que habitualmente é respeitado pela maioria das empresas que operam neste ramo em território português, das quais se destaca a falta de solvabilidade para cobrir o empréstimo solicitado, o grande entrave que determinará a inviabilidade de qualquer financiamento.

Como avaliam o meu caso em concreto?
Na base da decisão final de recusar ou conceder um crédito está o resultado do estudo realizado pela entidade credora a uma série de informações acerca do cliente requerente daquele, podendo estas serem facultadas pelo próprio solicitador ou conseguidas através da consulta de um conjunto de bases de dados à disposição dos agentes envolvidos neste género de negócios e reguladas pela legislação afecta a este ramo de cariz económico-financeiro.

Se por ventura não lhe for concedido o crédito devido às conclusões retiradas da análise das supramencionadas bases de dados, a entidade financiadora tem a responsabilidade de o informar desse facto em tempo útil e gratuitamente, estando compelida a explicar o porquê da recusa, justificando o fundamento da mesma perante o consumidor.

A derradeira “sentença” cabe invariavelmente ao credor, pelo que antes de submeter um empréstimo a avaliação convém realizar uma auto-avaliação para evitar surpresas mais tarde. É claro que esta observação poderá ser algo subjectiva mas irá fornecer-lhe pistas essenciais que vão facilitar a compreensão de uma eventual rejeição do pedido.

Deixe uma resposta