O que ponderar antes de pedir crédito

Que as coisas não estão fáceis no país todos sabemos e que num futuro próximo só vão piorar também não é novidade. Por isso, convém alertar para todos os perigos de optar por uma rota que eventualmente possa liquidar as suas finanças pessoais – e a sua vida, por consequência – ou lançá-lo para uma espiral de difícil libertação, como aquela que caracteriza a maioria dos financiamentos bancários actuais.

1. Procure alternativas às instituições credoras, tendo estas como o último recurso. A vida está complicada, como se sabe, mas não custará nada questionar os seus familiares ou amigos sobre a possibilidade de lhe fazerem o empréstimo que necessita. Não só fica livre dos custos impostos por aquelas entidades como evita criar um rasto de papéis que registam todos os passos dados, numa altura em que a privacidade é crescentemente um bem raro, sobretudo posto em causa pelo próprio Estado e pela Justiça com argumentos de um alegado “bem maior” e a velha (in)justificação da corrupção.

2. Tenha sempre margem de manobra, pois sem ela está condenado a perder tudo se por algum motivo deixar de possuir um rendimento ao nível daquele que auferia na altura em que subscreveu o crédito. Neste aspecto é necessário estar atento ao facto de que o valor a pagar – e não o montante do financiamento – nunca poderá representar mais de 30 por cento do seu provento mensal. Há especialistas que colocam a fasquia ligeiramente acima, nos 40 pontos, mas tendo em conta a instabilidade do mercado e a presente conjuntura económica, “jogar” pelo seguro é bem mais sensato e garantido;

3. Utilize todos os “trunfos” à sua disposição para obter a redução máxima dos custos que os bancos e outras entidades impõem nos seus produtos deste género. Caso já tenha outros serviços da mesma empresa, informe-se acerca de vantagens ou diminuições que possa conseguir e se lhe compensar transferir aqueles contratos para outro credor que lhe ofereça melhores condições, sublinhe essa alternativa junto da sua entidade e peça uma contra-proposta para que se mantenha como cliente;

4. Por último, mas não menos importante (bem pelo contrário), nunca subscreva crédito algum sem antes efectuar simulações de forma exaustiva. É importante visitar os sites de várias empresas e simular por diversas vezes com a oscilação dos critérios que possa flexibilizar (duração do contrato, montante, amortização ou extras), porque muitas vezes uma alteração que aparentemente era insignificante pode na verdade ser crucial para obter um negócio bastante acessível.

Se o leitor está a pensar em recorrer ao crédito para alguma finalidade, seja ela qual for, o derradeiro conselho que se pode deixar é que pense muito bem e nunca, em situação alguma, hipoteque o seu futuro por algo que não vale a pena o esforço. Nesse sentido, tenha especial cuidado com o crédito ao consumo ou para férias, entre muitos outros dispensáveis, pois nem sempre as condições inicialmente oferecidas – e sobretudo nos mencionados – são benéficas, podendo inclusive ser perigosas em diversas ocasiões. Por isso, analise com grande atenção as propostas e conheça o contrato ao pormenor antes de o assinar e assumir tal compromisso.

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