Malparado subiu para níveis de 2004

Há cada vez mais famílias portuguesas que não conseguem pagar os seus empréstimos. O peso do crédito mal parado nos particulares atingiu os 2,39%, em Fevereiro. Este valor, que é o maior desde Maio de 2004, está a aumentar progressivamente desde Novembro de 2007 e atingir proporções mais preocupantes no crédito ao consumo, onde o mal parado tem um peso acima de 5%.

De acordo com os dados do Banco de Portugal, já noticiados pelo Negócios a 8 de Abril, e que constam no Boletim Estatístico hoje divulgado, o crédito mal parado atingiu 3,16 mil milhões de euros em Fevereiro, uma subida face aos 3,002 mil milhões de euros de Janeiro.

O crédito total também aumentou, de 132,2 para 132,5 mil milhões de euros, mas o peso do malparado subiu. Assume mesmo um peso relevante no crédito ao consumo, ao atingir os 5,58% em Fevereiro. Neste segmento o mal parado situa-se nos 861 milhões de euros, perante o crédito concedido de 15,44 mil milhões de euros.

O peso do mal parado face aos empréstimos no crédito à habitação atingiu 1,59%, o valor mais alto desde Maio de 2004. Contudo, a descida recente das taxas de juro deverá ajudar a atenuar esta tendência de aumento.

Níveis que não assustam o governador do Banco de Portugal. “Continua com valores inferiores à média europeia e muito inferiores aos de início da década de 90, em que os riscos de incumprimento eram o dobro do que são hoje”, afirmou Vítor Constâncio a 7 de Abril. “A minha expectativa é que desta vez os níveis do crédito mal parado não cheguem aos da década de 90”, conclui.

Teresa Gil Pinheiro, economista do BPI, considera a subida do mal parado no consumo “preocupante”.O mesmo adjectivo é usado para qualificar o incumprimento no crédito à habitação, não porque os níveis estão muito elevados, mas porque tem sido um aumento continuado.

Teresa Gil Pinheiro considera que será normal assistir-se a algum aumento do mal parado, mas assinala que o actual valor “está longe dos níveis mais elevados”verificados em Portugal.

“Nos últimos meses o crédito mal parado parece estar a mostrar alguma tendência de estabilização” em torno de 2,4% e “comparando com Espanha estamos num nível confortável”, afirma.

fonte: Jornal de Negócios.

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