Dificuldade em obter crédito. Quais as razões…

Já não é novidade nenhuma que hoje em dia a obtenção de crédito está mais difícil que nunca e as normas impostas todos os dias apertam o cerco a quem pretende recorrer a este financiamento. A realidade afecta não só os particulares como as próprias empresas, especialmente as de pequenas dimensões, que passa a ter (ainda) mais entraves para conseguirem verbas necessárias para o início de um negócio.

Dois dos sectores onde se verificam normas mais rígidas para a concessão de crédito são a habitação e os empréstimos a Pequenas e Médias Empresas, que no último trimestre viram agravadas as suas hipóteses de financiamento. A confirmação é dada pelos resultados do último relatório do Banco de Portugal (BdP), onde se pode verificar que cinco das entidades bancárias que constam dos dados estatísticos reviram fortemente os seus critérios para analisar que clientes poderiam ter acesso ao crédito.

Na base dos pressupostos mais apertados para novos abonos está sobretudo a ampliação dos riscos, que são agora mais do que há um ano atrás, bem como as menores probabilidades de lucro, cujas margens de rendimento sofreram quedas acentuadas. Na prática, isto significa que os bancos têm mais cautelas e não concedem crédito “desalmadamente”, analisando de forma detalhada todos os casos, consultando o histórico de pagamentos dos possíveis clientes e a respectiva situação económica. Ou seja, só quem possui bons indicativos nestes critérios poderá ver o seu pedido aprovado sem obstáculos de maior.

Ao nível das alterações visíveis, o que acontece em consequência dos pressupostos menos flexíveis é a subida dos spreads e revisão, em alta, de comissões e taxas de juro aplicadas em alguns produtos e serviços. Por exemplo, no crédito à habitação, aquela taxa não só aumentou, como existe uma menor diferença entre valor da garantia e importância do empréstimo, justificada pela falta de perspectivas de uma evolução positiva do mercado a curto prazo.

Do lado das empresas, as dificuldades foram substancialmente agravadas, com menor número de PME’s a receberem ajudas de início de actividade ou empréstimos a longo prazo, exceptuando as sociedades ditas financeiras, às quais se mantêm condições de uma regrada flexibilidade, ainda que também suficientemente prudentes.

A nova realidade da concessão de crédito, mais apertada em termos de pressupostos, deverá manter-se assim durante os próximos meses, não se antevendo modificações para breve. A única solução para que se volte a restituir uma certa agilidade será um novo clima de segurança e confiança ou, mais drasticamente e menos provável, uma queda brusca da procura de crédito por parte dos consumidores. Se nenhuma destas situações se verificar, não haverá lugar a alterações significativas num futuro imediato.

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