Crédito Responsável

Pedir um crédito nem sempre significa desgoverno das finanças privadas. Pode ser uma solução responsável, tomada depois de avaliadas todas as hipóteses e impossibilidades de gestão orçamental.

Há que ter presentes certos princípios que devem nortear as nossas obrigações diárias enquanto cidadãos responsáveis, como ter plena perceção dos ganhos e dos gastos. Já conhecemos aquela velha e sábia máxima: a balança comercial de um país só apresenta um saldo positivo quando as exportações são superiores às importações. Nas finanças individuais de cada um de nós também funciona assim, a uma escala menor, mas equiparada, em termos de ganhos e de gastos.

Assim sendo, há que ter em mente o saldo da conta bancária atualizado para perceber o estado geral das nossas próprias finanças.

Há que saber com o que se pode contar. Quanto vou gastar? As despesas nunca devem ultrapassar as receitas, a fim de ter um saldo positivo. Em caso de débito direto é importante estar ciente de quanto vai ser debitado, se há saldo suficiente para cobrir essas despesas, e saber, para além das despesas habituais, que despesas extraordinárias poderão ainda surgir.

Se não sei bem … “pessoa prevenida vale por duas”…

Há que prever todas as situações e gastos adicionais possíveis. É necessário ter poupanças que cubram esses “dias de chuva”. Se o filho vai entrar na faculdade, vai precisar de alguma verba extraordinária para não incorrer em falta de liquidez, de modo a não comprometer a sua sustentabilidade financeira.

Despesas regulares? Temos muitas! Seguro do automóvel, refeições diárias, eletricidade, água, gás, combustível ou valor do passe, despesas com a educação dos filhos, telefone, internet, supermercado, tabaco, café, lazer, e muitas mais.

Para assegurar alguma liquidez, no final do mês, redefina o seu orçamento mensal e estabeleça prioridades, iniciando-as pelas indispensáveis, contemplando algumas supérfluas e, obviamente, a indispensável poupança entre 5 a 10% do rendimento mensal que poderá aplicar, por exemplo, numa conta poupança.

Todavia, se, apesar de seguir as dicas acima citadas, não conseguir alcançar um saldo satisfatório que lhe permita fazer face às dívidas, nesse caso necessitará mesmo de contrair um crédito. Assim, será necessário estar bem informado sobre as condições da subscrição desse crédito. Não se precipite, estude todas as implicações financeiras da decisão, leia atentamente o contrato estabelecido e guarde uma cópia. Antes de assinar a documentação de tamanho compromisso, procure informações pormenorizadas da concorrência dessa instituição de crédito, conheça as ofertas do mercado do setor e compare-as entre si.

A instituição de crédito, por seu turno deverá ter em conta o orçamento do cliente. Deverá também assegurar, ao analisar a sua documentação, que este manterá um equilíbrio salutar nas suas finanças, que lhe permita a sobrevivência. Ao agir com responsabilidade profissional e de boa fé, proporá a mensalidade mais conveniente para aquele caso particular.

Isso implicará, da parte da entidade de crédito, o acompanhamento permanente da atividade do cliente, para a salvaguarda dos seus interesses. Como tal, deverá apresentar propostas de crédito adequadas àquele caso concreto e diversificadas, a fim de este poder optar pela taxa mais competitiva, tendo em conta o crédito subscrito. Será mais viável para o cliente se a entidade de crédito fornecer diferentes formas de acesso aos seus serviços (telefone, correio, internet, SMS,…).

O cliente poderá avaliar positivamente os serviços da entidade de crédito se esta, a título de exemplo, for solícita a adaptar a data de débito das mensalidades ao seu caso, e se esta equacionar a sua possibilidade de revisão. É do interesse das duas partes o cumprimento das prestações. O cliente deve ajuizar das práticas da entidade de crédito, pela forma como se lhe dirige, dialoga e se propõe a encontrar a melhor solução ao seu caso particular, na possibilidade de consolidação dos créditos.

Um crédito responsável não depende unicamente da disponibilidade financeira do devedor. Evidentemente que depende das duas partes:

- Da parte do devedor deve haver um real interesse em cumprir pontualmente todas as obrigações contratuais;

- Da instituição de crédito deve haver um serviço realmente empenhado na resolução dos problemas financeiros do cliente e centrado na sua defesa. Para tal, as instituições de crédito devem ter formação para prestar esclarecimentos de forma imparcial, atualizada, responsável e personalizada às dificuldades dos clientes.devem também promover o equilíbrio do orçamento mensal do cliente, propondo por exemplo a mensalidade que melhor se adapta ao caso concreto.

Por fim, deve haver um interesse no “feedback” do público-alvo, sendo funcional e pertinente a realização frequente de inquéritos de satisfação aos clientes, para averiguar a qualidade do serviço prestado e atentar constantemente em possíveis sugestões de melhoria.

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