Crédito Pessoal… mas com moderação
Mai 21, 2010 Opiniões
A sociedade actual é definida por duas palavras: moderna e consumo. Embora se possa pensar que uma está desassociada da outra e apenas descrevem partes distintas da Humanidade, a verdade é que não podia haver vocábulos mais indissociáveis. A primeira leva precisamente à segunda, que não existiria num cenário sem a anterior. O mesmo é dizer que as vantagens proporcionadas pela modernização vieram criar o consumismo que é hoje apanágio da sociedade.
Os processos de evolução contemporâneos acontecem à “velocidade da luz” e todos os dias surgem novos gadgets, adereços, acessórios, objectos, produtos culturais e outros, serviços para tudo e mais alguma coisa… Enfim, a variedade é quase infinita e a capacidade das pessoas resistirem aos “encantos” destes bens é algo (e extremamente) reduzida. Por isso, na maioria das vezes a solução mais fácil para adquiri-los é recorrer ao crédito, também ele uma característica das sociedades de hoje.
É uma verdade que muitos consumidores optam pelo crédito apenas por necessidade (comprar carro, casa, pagar a educação dos filhos ou mesmo uma formação profissional), pois algumas destas coisas que são demasiado dispendiosas para serem adquiridas de uma só vez, mas como se afiguram essenciais, há que fazer um esforço adicional para obtê-las. No entanto, uma parte significativa das pessoas deturpa a finalidade do crédito e começa a utilizá-lo para tudo e mais alguma coisa, por mais supérfluo que seja. É aqui que está o problema, quando as facilidades se tornam excessivas, o recurso a um determinado meio acaba por banalizar-se ao desnecessário. Foi isso que sucedeu com o crédito e a consequência maior está à vista: endividamento massivo.
O malparado e as actuais situações de dificuldades económicas pessoais são o reflexo de uma atitude irresponsável das entidades de concessão de crédito, agravada por uma despreocupação dos consumidores em pesar os prós e contras das suas atitudes. O resultado traduz-se em graves problemas financeiros para muitos indivíduos, que ao longo dos anos, iludidos pelas facilidades de acesso ao crédito, “empenharam-se até ás orelhas”, como diz, e bem, o ditado popular. Por isso, há que tomar medidas de austeridade destinadas a pôr fim a esta situação, à semelhança daquelas que o Governo impôs recentemente, aproveitando-se esta “deixa” para realçar que o Estado tem igualmente “culpas no cartório”, porque não regulou e supervisionou adequadamente o mercado do crédito. Agora, só mesmo uma tomada de decisão conjunta destes agentes pode reverter a actual condição, que eles próprios causaram.
Tags: crédito pessoal


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