Aprenda a fazer uma gestão de crédito correctamente

Em tempos de crise, aumentam os pedidos de crédito, mas também crescem as contra-partidas exigidas pelas entidades que concedem este tipo de financiamento. Por isso, são mais rígidas as regras de atribuição destas ajudas económicas e, em consequência, mais pesadas as acções contra quem não cumpre os pressupostos acordados aquando do pedido de crédito. Por estes motivos, é crucial que se criem estratégias de controlo, para que seja possível monitorizar as acções que se vão praticando, tomando as medidas correctas para que não se excedam os termos do contrato e tenha de se acarretar com consequências que podiam ter sido evitadas.

Apesar de não ser do conhecimento de todos – uma vez que a maioria das pessoas solicita crédito sem estudar como este se processa – existem diversas técnicas que ajudam substancialmente a gestão pessoal de um crédito. Grande parte delas são bastante simples de aplicar e não implicam mudanças substanciais na forma de agir. Mesmo aquelas que exijam essa alteração, justificam que se faça o esforço de a concretizar, pois são mais as vantagens que acarretam, do que as desvantagens que provocam.

No sentido de orientar quem actualmente já possui um crédito, ou está na iminência de contrair um, seguem-se alguns cuidados a ter para controlar o mesmo e garantir-lhe mais segurança. Qualquer que seja a quantia inerente ao pedido, os próximos conselhos ajudá-lo-ão a “ter mais punho” nas suas finanças e garantir-lhe-ão um à-vontade grande e um excepcional sentido de controlo das operações e do seu dinheiro.

– Verifique sempre se os custos iniciais correspondem ao acordado contratualmente. Esta acção deve fazer parte da sua rotina inicial, mesmo antes de avançar para a assinatura de qualquer concordata. O mais (extremamente) aconselhável é ler atentamente esta secção do acordo antes de proceder a qualquer outro passo. Poderá ter havido algum engano na redacção do acordo, ou mesmo uma tentativa deliberada de enganá-lo. Lembre-se que não ofende ninguém zelar pela sua própria segurança, pois ninguém o fará por si. Realize-o sem receios, porque a haver prejuízos serão para quem é o titular do pedido de crédito;

– Confira atentamente os extractos da sua conta, certificando-se de que não lhe está a ser retirada uma quantia em excesso, bem como se não existe algum tipo de movimento indevido;

– Verifique as condições específicas dos seguros propostos e confronte-os com o que foi acordado com a entidade credora. Dê uma vista de olhos atenta e reclame de imediato caso detecte alguma anormalidade;

– Confira as condições de outros produtos propostos e avalie as possíveis vantagens que estes possam ter. Por vezes, a actualização do seu contrato actual para um novo poderá trazer-lhe mais-valias que não são de “deitar fora”;

– Não se esqueça do fundo de emergência que tem de ser criado por si e verifique-o com regularidade. O estado deste poderá servir-lhe no futuro, pelo que é absolutamente necessário que este vá crescendo, ainda que pouco e à medida das suas possibilidades. E lá diz o assertivo ditado popular, “grão a grão, enche a galinha o papo”;

– Guarde todos os recibos de pagamento num local seguro e onde não possam sofrer danos de género algum. Tal como em qualquer compra, estes documentos servem de prova de liquidação efectuada. Embora não seja normal, podem ser-lhe solicitados e há que tê-los consigo. Além disso, poderá haver algum problema e ser necessária a apresentação dos mesmos para comprovar que foram pagas as prestações. Em qualquer dos casos, “mais vale prevenir do que remediar”;

– Na eventualidade de poder, crie uma estratégia para amortização antecipada do valor em falta. Por vezes há algum acontecimento inesperado que poderá fornecer-lhe um “dinheirinho” extra com que não contava. Nesta eventualidade, deverá ponderar a amortização do seu crédito e verificar as condições de a concretizar. Quanto mais cedo liquidar a dívida, mais depressa ficará descansado. Sempre é menos uma preocupação a ter em conta;

– Qualquer contrato possui uma meta, mas você poderá definir uma somente para si. Em termos práticos, embora tenha um prazo para efectuar o pagamento do crédito, poderá ir poupando mais alguma coisa todos os meses e ir colocando de lado. Desta forma, estará sempre precavido em caso de imprevisto, além de que pode funcionar como uma espécie de “fundo de emergência” extra;

– Procure antecipar momentos difíceis da sua própria economia pessoal e elabore estratégias para os ultrapassar. É aqui que entram os fundos de emergência e as pequenas quantias que possam ter sido colocadas adicionalmente de parte. Nestes momentos é comprovada a importância daqueles fundos;

– Não tenha receio de informar o seu banco sobre eventuais dificuldades porque essa atitude poderá ser vista por esta entidade como uma prova de confiança. Isso será uma forma de demonstrar à instituição credora que você está empenhado em cumprir o acordado;

– Inclua a nova responsabilidade de crédito nas suas despesas mensais obrigatórias, estando sempre consciente de que este valor tem de ser dos primeiros a ser colocado de parte, logo após a quantia indispensável para as suas necessidades básicas. Assim, evitará hipotéticos problemas, sem que tenha de fazer um grande esforço. Basta recordar-se desta obrigação que tem de cumprir;

– Organize as suas finanças pessoais de forma a que possa ser pontual no pagamento das mensalidades. Há credores que não perdoam e agravam as prestações com elevadas taxas de penalização. Por isso, estando já consciente de que esta é uma despesa de todos os meses, não se atrase a liquidá-la.

Passadas em revista algumas das formas de controlar as suas finanças e evitar dissabores com o pedido de crédito, não há desculpa para incumprimentos, a não ser em caso de problemas económicos. Neste caso, recorde-se de contactar de imediato com a entidade detentora do seu crédito. Exponha a sua situação e procurem estabelecer uma forma de cumprir o acordado. Caso contrário, encare estes conselhos como uma cábula a seguir religiosamente.

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